Sandra Battistella, diretora do grupo, projeta que o mercado brasileiro vai movimentar R$ 150 milhões em 2013
Quem olhar os números do grupo Battistella de 2007 certamente vai notar um desequilíbrio entre suas duas grandes divisões - logística e recursos renováveis. Mesmo sendo uma separação ainda informal no conglomerado, das vendas totais de R$ 854 milhões registradas no ano passado, a área chamada de logística abocanhou quase 55% da receita, enquanto que a de recursos renováveis ficou com o restante. Em 2008, ainda será assim, mas em meia década a relação deverá ser marcada pelo equilíbrio, ou seja, 50% a 50%, segundo Gerson Schmitt, presidente do grupo Battistella. Maurício Capela
Ana Paula Paiva/Valor
Uma parcela considerável desta responsabilidade de equilibrar o jogo entre as áreas está nas mãos de Sandra Battistella, diretora da unidade de energia auxiliar do grupo. Além da energia auxiliar, o setor de recursos renováveis congrega também os 40 mil hectares de florestas e a produção de derivados de madeira, ao passo que a logística reúne as vendas de veículos pesados (caminhões), seminovos, peças e serviços.
Sob o comando da executiva, hoje, a energia auxiliar comercializa grupos geradores movidos a diesel e baterias estacionárias, o que lhe dá uma receita perto de R$ 133 milhões por ano. Mas esses produtos são insuficientes para promover o desejável equilíbrio entre as áreas. Sendo assim, além de lançar neste ano os grupos geradores movidos a biodiesel, a companhia resolveu apostar em um novo equipamento de geração de energia: a célula a combustível de hidrogênio.
Mundo afora, a célula já é uma realidade há mais de uma década. Tem 2,5 mil unidades instaladas, o que representa vendas acumuladas de US$ 87,5 milhões. "Por ano, são colocadas 500 unidades a um custo médio de US$ 35 mil, propiciando uma receita de US$ 17,5 milhões", conta Sandra ao Valor.
No Brasil, pelo menos nos primeiros anos, a diretora da unidade de energia auxiliar calcula em R$ 100 mil a instalação de uma célula de hidrogênio. Custo este que deverá cair perto de 15% em dez anos. Portanto, em meia década, Sandra estima que o país já contará com 1,5 mil células instaladas, o que propiciará a criação de um mercado de pelo menos R$ 150 milhões.
Para ingressar neste setor no país, a Battistella fechou um acordo inicial de cinco anos com a americana Lineage Power, que poderá ser renovado por tempo indeterminado. Esse contrato já possibilitará o grupo a concretizar sua primeira meta, a de vender pelo menos 20 unidades neste ano. E a ordem é centrar forças nos setores de telecomunicações e financeiro.
A escolha por estes setores, inclusive, não é obra do acaso. Segundo Sandra Battistella, telecomunicações e financeiro fazem parte daquele conjunto de setores da economia que não pode de jeito algum sofrer repiques ou falta de energia. Além disso, a própria divisão de energia auxiliar da companhia tem lá uma boa base de clientes nesses segmentos, porque já vende as baterias estacionárias para agências bancárias, bases transmissoras de freqüência de celulares, entre outros.
Sandra Battistella é clara ao afirmar que no futuro as células a hidrogênio substituirão completamente as baterias estacionárias, que ainda encontram mercado devido ao custo inferior. Montar hoje um banco de baterias em uma agência bancária custa algo como R$ 40 mil, ante os R$ 100 mil da célula. "Mas a durabilidade da célula é de 20 anos e sua instalação não requer infra-estrutura alguma, já a bateria demanda troca a cada cinco anos e precisa de uma área de proteção contra intempéries", detalha a executiva.
A busca por grupos geradores, baterias e célula tem uma razão para a Battistella. Já tem um bom tempo que o grupo entendeu que esses equipamentos têm a função de servir como sistema de segurança no fornecimento de energia e não como substitutos. Portanto, com o custo cada vez maior do megawatt/hora, é natural que as companhias procurem alternativas à distribuição convencional de energia nos horários de maior demanda, quando a tarifa elétrica costuma ser mais cara.
É por isso que existe mercado para célula a combustível de hidrogênio. Cada unidade dessa máquina costuma gerar 5 quilowatts (KW), sendo que o natural é instalar quatro desses equipamentos, o que possibilitaria gerar até 20 KW. Traduzindo, um conjunto de quatro células poderia tranqüilamente responder pela geração de uma agência bancária por oito horas e ainda poderia ter seu funcionamento alternado com um grupo gerador.
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