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Consumo de gás cresce no país e eleva risco ao abastecimento E-mail
Energia
Por Folha de São Paulo   
09 de janeiro de 2008

O consumo nacional de gás natural aumentou em 2006, de acordo com números divulgados pela Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), que consideram o período janeiro-novembro. No acumulado dos 11 primeiros meses do ano passado, o consumo aumentou em 5,5 milhões de metros cúbicos por dia por conta do maior uso de usinas termelétricas.

No mês de novembro, foram consumidos 46,2 milhões de metros cúbicos por dia, 12% a mais do que o registrado no mesmo mês do ano anterior. O crescimento do consumo foi liderado pelas termelétricas (51,66%), seguidas da indústria (3,45%) e dos automóveis (5,90%). Houve diminuição no consumo de residências (de 1,10%) e comércio (-1,12%).

O fornecimento de gás natural é o principal gargalo para a segurança no abastecimento de energia nos próximos dois anos. Hoje, não há gás suficiente para atender a todos os consumidores (termelétricas, indústria, automóveis e residências) simultaneamente. Em outubro, forçada a fornecer gás para termelétricas, a Petrobras reduziu a quantidade de combustível enviada a distribuidoras do Rio de Janeiro e de São Paulo. No Rio, houve falta de gás para automóveis (GNV, Gás Natural Veicular) em alguns postos.

No final de 2006, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) determinou um teste com 21 usinas termelétricas a gás. Essas usinas informavam poder gerar até 8.020 MW (potência instalada). Durante o teste, elas geraram 4.723 MW médios de energia. O restante não foi entregue porque não havia gás suficiente.

Para contornar a situação, a Petrobras, fornecedora do combustível, assinou, em maio do ano passado, um termo de compromisso com a Aneel comprometendo-se a garantir que as termelétricas tenham, até 2011, capacidade de gerar 6.737 MW. Em julho de 2007, no entanto, a estatal já deixou de cumprir o acordo e foi multada pela agência reguladora em R$ 84,7 milhões.